sábado, 8 de novembro de 2014

VI - O glúten na Balança

No mundo em que vivemos vale mais o que os outros pensam acerca de nós, do que o que pensamos ou sentimos em relação a nós mesmos. Isso acaba por padronizar comportamentos e, inclusive, aparências: muitas querem ter o corpo do mocinha da novela das nove, outros buscam assemelhar-se aos homens com corpo definido e grandes bíceps. Dessa maneira, emagrecer se tornou obsessão, o prazer foi suprimido e a ordem é retirar o que engorda, mesmo que trouxesse grande alegria. Com isso, e cada ano (ou a cada mês, se duvidar ) surgem novos culpados pelo excesso de peso, e, vejam só, acabaram mais uma vez achando uma acusação para a molécula glúten.

vamos, então, a este questionamento: glúten engorda ou não? Como primeiro ponto na criminalização do glúten como agente secreto do ganho de peso temos sua ação no cérebro. Como já foi visto, o glúten possui vários efeitos no sistema nervoso. Um desses em especial é apontado como o responsável pela ação "engordurante" do glúten; o glúten se liga a receptores opioides. Essa função já foi aborda na postagem quatro - glúten para dentro da cabeça- mas só para refrescar a memória os receptores opioides quando ativados(pelo glúten, no caso) liberam uma sensação de prazer, hipnótica ou de analgesia. Desse modo, comer glúten gera mais vontade de comer glúten, como sugere uma experiência feita com ratinhos na Universidade Federal de Minas Gerais.

Quando associado à doença celíaca ou intolerâncias e sensibilidade , o glúten pode aparentar um aumento de massa gorda corpórea. Pode-se ter, por exemplo, um desequilíbrio da tireoide, cansaço e metabolismo desacelerado e isso segundo alguns - o jogador Ronaldo por exemplo- causa obesidade ou dificulta o emagrecimento. O que, segundo o endocrinologista Marcello Bronstein não é verdade. O aumento de peso se dá mais pelo acúmulo de líquido, mixedema, do que pela deposição de gorduras. Quando se tem intolerância, o consumo pode desencadear uma inflamação que retorna em uma produção do hormônio cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Esse hormônio é associado a produção maior de gordura abdominal. A ele também é associado a vontade de comer em pessoas estressadas.

E em quem não possui nenhum tipo de restrição ao glúten, como o glúten afeta o peso dessas pessoas? Ele não afeta diretamente a obesidade ou não dessas pessoas. Muitos dizem que emagrecem ao fazer uma dieta sem glúten. Se você leu a última postagem já deve ter uma ideia de como esse processo acontece. Não?! Bem, no post "glutenarias" estão apresentados muitos alimentos que possuem glúten na sua composição. Corte-os e verá o milagre acontecer. Pare de beber cerveja e veja se aquela famosa barriguinha decorrente do seu consumo não diminui! Pare de comer pizzas e lasanhas e olhe para o ponteiro da balança, e veja que ele está marcando menos. Entendeu?! O que engorda não é o glúten, mas sim a grande quantidade de carboidratos e lipídio nos alimento em que ele está presente. Ou seja, você emagreceria do mesmo jeito se dissesse que está cortando açúcar e gordura.

Percebe-se que as pessoas preferem culpar uma única molécula do que admitir que uma vida comendo de tudo, mas com equilíbrio e consciência, é a vantagem. A imprensa, a publicidade e mesmo alguns profissionais nutricionistas sabem disso, mas é mais fácil produzir dieta mágicas, que vendem e que muitas vezes esses alimentos são mais caros. É só buscar comidas glúten-free e comparar com alimentos normas, aquelas são mais caros. Dietas são saudáveis até certo ponto, pois o emocional, o prazer, e mesmo um gustação que seja agrada também influenciam na produção da saúde individual.

Fontes:
http://www.mundoboaforma.com.br/gluten-engorda-mesmo-saiba-verdade/
http://mdemulher.abril.com.br/saude/reportagem/prevencao-trata/10-perguntas-gluten-10-respostas-serias-ciencia-788594.shtml
http://drauziovarella.com.br/entrevistas-2/hipotireoidismohipertireoidismo/
http://naocontocalorias.com.br/2013/06/14/vou-contar-sobre-o-gluten/
Pandolfi, Robson. A Verdade Sobre o Glúten. Rvista Superinteressante, São Paulo, p.26 JULHO 2014.

7 comentários:

  1. Os hábitos alimentares estão associados a melhoria ou não do bem-estar físico, como apresentado o glúten se liga a receptores opióides, ou seja, produz uma sensação de prazer, o que leva as pessoas a abusarem dos alimentos ricos em carboidratos, esse consumo em excesso termina por gerar o acumulo de gordura. Por se ligar aos receptores opióides age diretamente inibindo a dor e causando uma sensação de analgesia leve que se assemelha ao uso de morfina, em escala menor, é claro, o glúten causa dependência, assim como a caseína que está presente nos produtos lácteos Eles geram compulsão, euforia, dependência e até alucinação em crises de abstinência. Por razões que ainda se estudam, glúten e caseína afetam o desenvolvimento cerebral em crianças autistas, essencialmente, muitas crianças autistas tem um comportamento como se estivessem drogados, estudos realizados na por Investigadores na Inglaterra, Noruega, e na Universidade da Flórida encontraram peptídeos com atividade de opiáceos na urina de uma percentagem elevada de crianças autistas. Estes resultados foram recentemente confirmados por pesquisadores da Johnson & Johnson Ortho Clinical Diagnostics.

    Fontes:
    http://gluteneobesidade.wordpress.com/209-2/
    http://www.glutensolutions.com
    http://www.giorgiapfeifer.com.br/2014/05/gluten-vicia.html

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  2. Incrível como a sociedade consegue moldar milhões de pessoas ao redor do mundo, ao ponto de seguirem padrões arbitrários de saúde e beleza.
    A busca pelo corpo ideal tem movimentado uma indústria multimilionária, seja na produção de cosméticos e tratamentos estéticos, ou ainda pela difusão de ideologias de massa, como a de que o glúten é um dos males do século XXI.
    Como bem expresso pelo texto, o problema do ganho de peso está relacionado ao alto consumo de carboidratos e lipídio, macromoléculas energéticas que se tornam reservas nos tecidos do corpo, e dessa forma, quanto mais delas, mais gordura será produzida.
    A grande verdade é que os carboidratos podem produzir carboidratos e lipídios (gorduras), e dessa forma, toda vez que comermos massas em geral (as mesmas que contêm o glúten), estaremos ingerindo mais gordura, e assim ocorre o tão combatido ganho de peso.
    O Ministério da Saúde lançou uma cartilha que aborda o ideal alimentar para as famílias brasileiras, como uma forma de impactar e intervir em uma realidade cada vez mais capitalista, e que tem gerado uma insegurança alimentar nos lares brasileiros, principalmente pelo aumento no consumo de comidas prontas, como as de fast food.
    Além dessa medida, o governo federal juntamente com as secretarias de saúde tem discutido os hábitos alimentares das famílias, e instruído cada vez mais por meio dos agentes em saúde, como médico, agentes e enfermeiros, milhares de pessoas que já se apresentam como portadores de doenças crônicas, como a diabetes e a hipertensão.
    Sugiro que você trate acerca das possibilidades de dietas sem glúten, e os riscos de sua ausência, uma vez que sabemos da sua intrínseca ligação aos nutrientes essenciais à vida humana.

    FONTE:
    http://www.dojeitoh.com.br/gluten-a-nova-gordura-trans-por-ga_nutri

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  3. Dieta é uma das palavras mais pronunciadas na modernidade. Porém a maioria das pessoas não a seguem por motivos de saúde e sim por motivos de estética.
    Como falei em comentário da postagem anterior, ao deixar de comer os alimentos que contém glúten, consequentemente corta-se da alimentação diversos alimentos calóricos que o tem em sua composição, como biscoitos, achocolatados, entre outros. Porém é necessário que as pessoas tenham consciência que de fato o glúten não é o grande vilão da história e sim o excesso de lipídios e carboidratos que esses alimentos apresentam.
    As pessoas também devem estar alertas para as pegadinhas capitalistas, sempre escondidas por trás dessas dietas duvidosas, já que ao consumir alimentos sem glúten acaba-se por gastar mais comprando alimentos especiais dedicados aos portadores da doença celíaca, por exemplo.

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  4. Parabéns pela postagem, foram excelentes idéias expostas!
    Muito relevante o destaque sobre opiniões ou recomendações de famosos acerca de dietas ricas em glúten, quando na verdade, percebe-se que o sobrepeso ou a obesidade, faz-se por outros fatores já desencadeados pela alimentação desregulada.
    Salvo causas patológicas, é importante salientar que dietas que não possuem glúten, assim como a maioria das dietas, estão presentes em classes sociais mais estáveis, que possuem condições econômicas da substituição de alimentos em detrimento de outros mais saudáveis e consequentemente mais caros.
    Assim, é indispensável propiciar à população mais vulnerável, o estabelecimento de protocolos que possibilitem o acesso à dietas adequadas à sua condição de celíacos ou hipersensíveis ao glúten.

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  5. Achei muito interessante a postagem principalmente por revelar que o glúten não é o vilão que a maioria das pessoas acha que ele seja. Muitas pessoas preferem botar a culpa no gluten por serem gordinhas do que praticar hábitos alimentares saudáveis e exercícios físicos. Na sociedade contemporânea os profissionais ja sabem disso, mas como vivemos em uma sociedade capitalista, onde tudo que importa é a obtenção de lucro, esses profissionais preferem se aproveitar da crença popular de que o glúten engorda para poder vender suas dietas magicas ou substancias que ajudam a emagrecer. O que de fato ocorre, como explica a nutróloga Tamara Mazaracki, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). "O glúten está presente em alimentos fonte de carboidratos - que costumam ser altamente calóricos - sua eliminação geralmente reduz o consumo desse nutriente, o que pode levar à perda de peso". Assim, o glúten não é tão ruim assim quanto se pensa.
    FONTE:
    http://www.minhavida.com.br/alimentacao/galerias/15056-dieta-sem-gluten-sera-que-emagrece-mesmo

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  6. Realmente a busca da informação e do conhecimento é libertador. O texto demonstra com maestria um exemplo de como é fácil guiar uma população sem conhecimento, apontando caminhos que em certos casos podem até dar certo, mas com explicações falsas e engodos, para que se possa eventualmente mudar o discurso, e conduzi-las para um outro caminho, melhor não para as pessoas, mas para as industrias por trás dessa enganação, como por exemplo a industria alimentícia. E chama-se industria justamente por que o fim principal é gerar o lucro, sendo que nessa sociedade atual, apenas o fim importa, independentemente aos caminhos tomados para tal.Como o texto mostra, é muito mais fácil colocar a culpa da obesidade em uma molécula do que em um hábito, que se for mudado acarretará em uma massiva diminuição daquele fim principal, o lucro. De fato, a engenharia alimentícia tem desenvolvido métodos sofisticadíssimos para a adicção da população a alimentos industrializados, como por exemplo a busca por se conseguir a proporção perfeita entre sal, açúcar e gordura nos alimentos, que associado a uma consistência agradável, torna-os irresistíveis. O texto deixa claro como em muitos casos o glúten é utilizado com bode expiatório para os problemas que na verdade são tem suas causas mais fincadas em outras substâncias encontradas em exagero nos alimentos que também contém glúten.
    http://www.npr.org/blogs/thesalt/2013/02/26/172969363/how-the-food-industry-manipulates-taste-buds-with-salt-sugar-fat

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  7. A mudança dos maus hábitos para uma alimentação equilibrada e a implantação de uma atividade física regular eficaz tem efeitos positivos na vida das pessoas que visam uma qualidade de vida melhorada. Emagrecer com saúde, portanto, é o que muitos procuram, isso poderia ser determinante para evitar diversas doenças ligadas aos maus hábitos alimentares. Nessa perspectiva, muitas substancias são classificadas como responsáveis diretas pelo acumulo excessivo de gorduras, e o glúten aparece como um vilão, não apenas pelo fato de muitos serem intolerantes, mas também por haver uma associação entre a substancia e a obesidade. No entanto, o conhecimento sobre o modo de atuação da molécula no organismo humano ainda é assunto a ser pesquisado, verdades e mentiras aparecem constantemente, mas o que deve prevalecer mesmo é a ideia do emagrecimento pela adoção de práticas saudáveis de alimentação e exercícios físicos.

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