É preciso lembrar que o trigo já nos acompanha a muito tempo e tem sido alimento inseparável do homem. O trigo está presente a cerca de 12 mil anos na história da humanidade com registros de plantio na Mesopotâmia e Egito. Os grãos eram, inicialmente, dados aos animais, porém o homem passou a consumi-lo, mastigando-o ou fazendo papas. A invenção dos pães fermentados é atribuída aos egípcios, isso auxiliou o homem a armazenar alimentos mais facilmente e por mais tempo. Diz-se que os sumérios inventaram a escrita com o objetivo de registrar e controlar o comércio de excedentes de alimentos, entre os principais estava o trigo. Ele também foi encontrado no Homem de Gelo do Tirol, dentro do estômago sob a forma de pães ázimos.
Mas, alguns estudiosos do assunto afirmam que o trigo já não é mais o mesmo. Como os médico americanos Wllian Davis e David Perlmutter que acreditam que o trigo sofreu modificações. Dizem que as variedades mais antigas de trigo possuíam mais de um metro de altura, e que os agricultores buscaram variedades mais baixas e de mais fácil colheita, essas variedade tinham cerca de 40 cm. Dizem que o ciclo de vida da planta também foi alterado, diminuído, o que melhorou o aproveitamento da terra. Dizem que até características como a facilidade de desprendimento da espiga também foi afetado, ficando mais firmemente ligado à planta. Essa teoria, porém é bastante questionada, isso porque os cruzamentos genéticos ocorrem há milênios e, em alguns casos, ocorre de forma natural, sem intervenção do homem. Não há comprovação científica de que esse processo tenha modificado a forma como o trigo é digerido.
Para finalizar, um graficozinho mostrando uma interessante pesquisa publicada na revista Gastroenterology (vol 142, pg 320-328 em Agosto de 2013) feita com algumas pessoas que se intitulavam sensíveis ao glúten, mas não portadores da doença celíaca. O objetivo era pesquisar o que causava o efeitos colaterais através do consumo de glúten nesses indivíduos. Eles foram submetidos a dietas com muito glúten, com pouco glúten e um placebo.
| Sintomas Gerais, Dor e Inchaço Satisfação com a consistência fecal, Gases, Náusea e Cansaço |
Levando em conta todo o apresentado no blog e que o trigo e, por consequência, o glúten está presente em tantas comidas tradicionais e deliciosas - os italianos que o digam-, faço minhas as palavras de Michael Pollan em seu livro "Em Defesa da Comida": Coma comida, não em excesso.
Muito Obrigado!
Fontes:
http://naocontocalorias.com.br/2014/05/20/vale-a-pena-tirar-o-gluten/
http://batatafritapode.com/2013/11/13/e-o-gluten-pode/
http://www.trigoesaude.com.br/gluten-sem-preconceito/culpado-ou-inocente.shtml
http://www.trigoesaude.com.br/gluten-sem-preconceito/o-trigo-na-dieta-vegetariana.shtml
http://www.trigoesaude.com.br/gluten-sem-preconceito/nutricao-do-futuro.shtml
Pandolfi, Robson. A Verdade Sobre o Glúten. Rvista Superinteressante, São Paulo, p.26 JULHO 2014.
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ResponderExcluirComo destacado com maestria no texto, o trigo é um alimento que está associado à alimentação da humanidade desde os tempos mais remotos e este cenário não mudou tanto, pois ainda hoje, o trigo está muito presente no cardápio, seja através de pães, bolos, biscoitos, massas, dentre outros.
ResponderExcluirAs diferentes composições químicas do grão do trigo (umidade, carboidratos, proteínas, lipídeos, minerais) afetam as suas características funcionais, e consequentemente, as suas propriedades estruturais, população microbiológica e sua qualidade.
De forma geral, a farinha de trigo é composta sobretudo de amido (70 a 75%), água (12 a 14%), proteínas (8 a 16%) e outros constituintes menores, como polissacarídeos não amiláceos (2 a 3%), lipídeos (2%) e cinzas (1%); assim, as quantidades e as diferentes características das composições a partir de diversas cultivares, influenciarão a qualidade da farinha de trigo. (Morita et al., 2002). Assim, é de extrema importância entendermos a composição da farinha de trigo, para então compreender as principais mudanças decorrentes dos processos tecnológicos e industriais que o trigo é submetido, em que muitas vezes são potencializadas indiretamente as substâncias capazes de causar repercussões patológicas no indivíduo, como o glúten.
PARABÉNS pelo excelente blog e pela enorme contribuição na construção do conhecimento, objetivando formar profissionais capazes de dialogar acerca de temas cotidianos, com linguagem acessível, sem perder o fundamento bioquímico.
FONTE:
Scheuer et al. Trigo: Características e Utilização na Panificação. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.2, p.211-222, 2011 211
Achei muito interessante a sua postagem por finalmente se posicionar a respeito de se o gluten deve ser removido das dietas ou não. Tendo em vista tudo o que foi apresentado nesse blog, também me posiciono contra a retirada do gluten da dieta ( a não ser em casos de portadores de doença celíaca, que não têm escolha), uma vez que ele está presente em há muito tempo na vida do homem ( há cerca de 12000 anos) nos fornecendo alimentos extremamente saborosos, como pães, bolos e massas em geral; e não existe nenhuma prova científica de que ele realmente seja maléfico à saude.
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ResponderExcluirA defesa do glúten é muito importante, sobretudo para quem desconhece o que já é criticado pelas massas e pelas mídias capitalistas opressoras que ditam padrões, e até mesmo, dietas.
ResponderExcluirQuando se procura no google algo relacionado às vantagens desse conjunto de proteínas, nada mais aparece que as vantagens em não ingeri-lo, o que pode ser o reflexo de um comodismo de se enxergar apenas os seus malefícios, e a necessidade moderna de culpabilizar as macromoléculas glicídicas e lipídicas.
A grande questão é entender que o glúten está presente em boas parte de nossa alimentação diária, e que excluí-lo pode ser um indicativo de insegurança alimentar, uma vez que não haja uma necessidade de restrição expressa do glúten.
O Conselho Regional de Nutrição lançou uma nota em 2013 expressando:
“Não é indicado que as pessoas deixem de consumir alimentos com glúten sem orientação nutricional e sem indicação, evitando a deficiência de nutrientes essenciais responsáveis pela manutenção e promoção do estado nutricional”.
O fato é que é necessário contrabalancear necessidades e desejos, tendo em mente os riscos de saúde de um corte nutricional instantâneo ou sem acompanhamento de profissionais da saúde, objetivando esclarecer ao paciente as possibilidades e alternativas para o seu caso, analisando a presença de traços ou distúrbios psicológicos decorrentes da busca pelo padrão ideal de beleza, em que muitas vezes os danos causados pelo glúten são de ordem psíquica e não gastrintestinal.
Estudos sobre as proteínas que constituem o glúten devem ser intensificados, a fim de que sejam desenvolvidas alternativas alimentares.
Blog esclarecedor. Muito obrigado pelo compartilhamento de experiências e conhecimento!
FONTE:
http://www.dicasdemulher.com.br/dietas-sem-gluten-lactose-e-acucar-vantagens-e-desvantagens/
Terminando as postagens e defendendo também o ponto de vista em que o trigo não é o causador ou elemento crucial de doenças ligadas a obesidade e afins (excluindo-se é claro, os celíacos), o glúten foi apresentado e exposto e dado os argumentos que validam a sua inofensividade frente a outras formas de alimentação rica em gorduras ou muito mal balanceadas, tudo depende da forma como o indivíduo consome, as consequências são apenas reflexos, o principal vegetal que contém o glúten é o trigo, que é usado há milênios na alimentação das populações, como citado, ele também passa a ser reconhecido na alimentação vegetariana devido ao aspecto nutricional O trigo é um cereal,, o seu grão na forma integral fornece proteínas, carboidratos, vitaminas do complexo B, ferro, zinco. Ele é um dos grãos da combinação do mix de 7 cereais. Não é à toa que os pães estão presentes no café da manhã, nos lanches, pois é bastante nutritivo, tendo em vista todos esses aspectos, o glúten não torna o trigo tão vilão assim.
ResponderExcluirReferências:
http://www.trigoesaude.com.br/gluten-sem-preconceito/o-trigo-na-dieta-vegetariana.shtml
Assim como você, acredito que o pecado está no excesso de ingestão de glúten. Por ser uma proteína de difícil digestão e por estar presente em diversos alimentos industrializados, o glúten virou o grande vilão para algumas pessoas que acreditam fielmente em dietas milagrosas.
ResponderExcluirO ataque ao glúten é consequência da proliferação das dietas desintoxicantes. Elas ganharam força em meados de 2005, incentivadas por livros como Dr. Joshi's Holistic Detox: 21 Days to a Healthier, Slimmer You - For Life (Desintoxicação holística do doutor Joshi: 21 dias para ter mais saúde e magreza – para a vida, em tradução livre), do terapeuta holístico inglês Nishi Joshi. O glúten é um dos alimentos proibidos de uma longa relação. No Brasil, o programa detox é defendido por alguns nutricionistas, especialmente de uma corrente chamada funcional – baseada em alimentos não só saudáveis, mas especificamente indicados para a prevenção de males. Entre linhas mais ortodoxas da nutrição, essa dieta não tem tanto crédito. Entre os médicos, é raro quem a defenda – afinal, não há evidências científicas contundentes de que funcione.
Sendo assim, para a perda de peso é fundamental apenas controlar a quantidade e a qualidade dos alimentos ingeridos.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/gluten-e-ruim-para-quem