A doença celíaca é um tipo de doença autoimune, então, para não deixar meus leitores sem uma base, vamos a um pequeno esclarecimento do que seria uma doença autoimune.
Doença autoimune é uma perversão da função original do sistema imune, que é proteger normalmente contra agentes infecciosos. Aquelas células que deveriam estar te protegendo contra bactérias vírus protozoários, começam a destruir as suas próprias estruturas, estruturas que elas deveriam ter aprendido, na sua evolução, a tolerar.
Muitas dessas doenças têm uma base genética, mas também podem surgir influenciadas pelo meio-ambiente. Ainda, fatores desencadeantes é que vão apontar, no caso genético, quão cedo a doença irá aparecer, ou seja, quando aquele determinado gene será expresso. Dessa maneira, pessoas que têm influências genéticas, mas não entram em contato com fatores desencadeantes, vão diminuindo as chances de desenvolver a doença.
A doença celíaca é um tipo de doença autoimune que atinge um órgão específico, no caso, o intestino delgado. Essa enfermidade se desencadeia quando há o contanto com o glúten, mais especificamente é na gliadina (citada no último post) que estão presentes a maior parte dos componentes nocivos. Em pessoas com predisposição genética, moléculas não digeridas de gliadina, ao entrarem em contanto com camadas mais internas da mucosa intestinal, disparam a reação imunológica causadora da inflamação responsável pelos sintomas. Isso causa a atrofia das vilosidades intestinais, gerando diminuição da absorção de nutrientes. Os genes necessários à manifestação deste mal já foi descobertos e nomeados e podem ser o HLA- DQ2, ou o HLA-DQ8.
A doença é mais comum em crianças, mas também atinge adultos de ambos os sexos, podendo ou não apresentar sintomas. Quando existentes os sintomas variam de acordo com a faixa etária. A doença celíaca que atinge crianças, também chamada de Clássica, caracteriza-se por diarréia crônica, desnutrição com déficit de crescimento, anemia ferropriva não-curável, emagrecimento, osteoporose, dores abdominais e vômitos. A dita Não Clássica varia entre alterações gastrintestinais, fadiga, prisão de ventre, baixo ganho de peso e estatura, e osteoporose. Há ainda a forma assintomática, que não apresenta irritabilidades intestinais, mas que, se não tratada pode apresentar complicações futuras, como, mais uma vez, osteoporose e anemia ,ou ainda, câncer.
Mas, como se sabe que alguém é celíaco? Existem algumas formas para se chegar ao diagnóstico nesse caso. Uma forma seria exames laboratoriais para detectar a presença de anticorpos anti-gliadina. Outra, que servir de comprovação, é a biopsia feita com pelo menos três fragmentos do intestino delgado.
Os celíacos devem, portanto ficar longe do glúten e de seus componentes e derivados. Então as empresas deveriam colocar avisos CONTÉM GLÚTEM em todos os alimentos e industrializados que possuem essa proteína, porque além dos celíacos, existem outras pessoas que querem apenas uma coisa do glúten: distância! Mas isso é assunto pra outras postagens.
Fontes:
http://www.fbg.org.br/arquivos/inform_j9jvvs.pdf Manual Informativo Básico disponibilizado pela Associação de Celíacos do Paraná.
Este blog, por meio dessas duas postagens, já tem me remetido a importância da bioquímica em nossas vidas, e a necessidade de analisarmos o que comemos. É impossível dizer que a bioquímica está desligada do nosso dia-a-dia. A doença celíaca, diagnosticada com a retirada de pequenas amostras do intestino ou por meio da análise de presença de anticorpos anti-gliadina, é uma doença que põe em cheque a liberdade nutricional, impondo ao portador uma série de restrições alimentares, principalmente dos alimentos que possam irritar a mucosa intestinal e disparar uma série de sintomas e sinais clínicos.
ResponderExcluirÉ imprescindível, pois, que os produtos alimentícios que contenham glúten possuam rótulos com tal aviso; sendo este, um dos pedidos da sociedade de portadores da doença celíaca, que muitas vezes entram em crise ingerirem glúten. Além disso, a doença não é tão difundida nas massas, o que pode tornar um simples final de semana em dias de terror num leito de hospital, por uma simples ingestão de batata frita que foi preparada em óleo já utilizado para fritar massas que continham glúten, por exemplo.
A bioquímica nutricional do portador de doença celíaca não é restringida, mas reprogramada!
Sugiro que você trate de alguns alimentos com glúten e a sua interação bioquímica no intestino, bem como algumas situações em que o portador pode se intoxicar indiretamente.
Ótima postagem sobre a doença celíaca, mostrou que é importante saber o que estamos comendo. A doença celíaca é muito grave uma vez que desencadeia no intestino a reação imunológica que causa a inflamação responsável por problemas na absorção de nutrientes, vitaminas, água e sais minerais. Além disso ela é auto imune e não tem cura, sendo que a única solução para os portadores é uma dieta rígida sem glúten. A aderência estrita à dieta permite que os intestinos se curem, com a regressão completa da lesão intestinal e resolução de todos os sintomas na maior parte dos casos. Chama a atenção o fato de muitas pessoas conhecerem essa doença como alergia a glúten, embora ela não seja desencadeada por nenhum processo alérgico, mas sim autoimune.
ResponderExcluirAs doenças autoimunes se apresentam no organismo sob influencia de fatores externos ou internos, no caso da doença celíaca, como foi abordado no texto, os organismos afetados já apresentam uma predisposição genética, isso torna as crianças mais susceptíveis à doença, uma vez que nos primeiros anos de vida ocorrem os primeiros contatos com alimentos derivados de cereais que contém glúten, isso não exclui os adultos que também estão propensos à doença celíaca. Por ser uma doença que degrada a mucosa intestinal ocasionando diarreia crônica e desnutrição, o diagnóstico da doença é de extrema importância e deve ser feito o mais rápido possível, daí a necessidade de métodos mais eficazes para esse diagnóstico.
ResponderExcluirA doença celíaca é popularmente conhecida pela dieta 0 glúten, mas segundo a Associação dos Celíacos do Paraná, "O prejudicial e tóxico ao
ResponderExcluirintestino do paciente intolerante ao glúten são "partes do glúten", que recebem
nomes diferentes para cada cereal. Vejamos: No Trigo é a Gliadina, na Cevada
é a Hordeína, na Aveia é a Avenina e no Centeio é a Secalina". Desta forma, é indispensável que pacientes portadores da doença, tenham cuidado com tais substâncias, pois apenas um forma genérica, pode não ser tão eficaz desencadeando uma crise grave, resultando em diarreia, distensão abdominal, desidratação, hipotensão, distúrbio hidroeletrolítico, sendo necessária uma intervenção imediata revertendo os sintomas, ministrando medicamentos que proporcionem o equilíbrio de concentrações e hidroeletrolítico.
Muito bom post! A doença celíaca, uma doença autoimune, é realmente um grave problema às pessoas que a possuem, por isso é necessário que os produtos alimentícios tragam a informação sobre o glúten.
ResponderExcluirÉ importante que a indústria alimentícia coloque no mercado produtos que não prejudiquem as pessoas que tenham a doença celíaca, ou até mesmo outras doenças autoimunes e aquelas que por ventura a pessoa tenha restrição alimentar, pois isso certamente trará melhor qualidade de vida e menos ônus para o Estado em relação às internações dessas pessoas.
Explicação muito boa sobre doença autoimune!!
Assim como a AIDS é uma doença autoimune que afeta o sistema imunológico, a doença celíaca é uma doença autoimune que afeta as paredes do intestino, e ainda não tem cura. O que eu acho muito interessante nisso é ser causado não por um agente infeccioso, mas por uma substancia alimentar. Também, é impressionante como tudo no nosso organismo tem uma função que não pode ser desprezada. Analisar que a diminuição das vilosidades do intestino acarretam em tantos problemas nos mostra como não só a alimentação mas também a absorção dos nutrientes pelo organismo são de suma importancia
ResponderExcluirAcho muito interessante que o glúten seja mais discutido e desmitificado para a população. Somente através do conhecimento é que pode-se haver um diagnóstico rápido e um tratamento adequado, já que o diagnóstico tardio acarreta riscos para o paciente e muitas vezes até a morte.
ResponderExcluirPorém, apesar de encontrar produtos sem glúten ter ficado mais fácil, a conquista pesa bastante no bolso. Por exigir cuidados especiais na manipulação e produção, os produtos livres de glúten chegam a custar mais que o dobro dos produtos que contém a proteína. Além disso, o fato da procura ser considerada baixa pelos fabricantes, também encarece o produto.
Creio que iniciativas do governo para auxiliar pessoas portadoras dessa doença é uma medida de extrema necessidade, já que nem todos tem condições de bancar os altos custos, concorda?
Aguardo novas postagens!