sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

X - Em Defesa do Trigo

Várias postagens desse blog mostraram o mal que o trigo pode fazer a determinadas pessoas. Entretanto quem é leitor do meu blog e conseguiu ler as entrelinhas (nem tão tão entrelinhas assim) percebeu que não sou um defensor ferrenho das dietas free-glúten para pessoas que não necessariamente precisam tirar essa proteína ,abundante no trigo, do cardápio. Quem é celíaco provavelmente não é o maior fã das restrições ao trigo, logo quem não  possui a doença também não deveria restringir seu cardápio. É por esse e outros motivos que o  Blog com Glúten decidiu levantar a bandeira em favor do trigo!

É preciso lembrar que o trigo já nos acompanha a muito tempo e tem sido alimento inseparável do homem. O trigo está presente a cerca de 12 mil anos na história da humanidade com registros de plantio na Mesopotâmia e Egito. Os grãos eram, inicialmente, dados aos animais, porém o homem passou a consumi-lo, mastigando-o ou fazendo papas. A invenção dos pães fermentados é atribuída aos egípcios, isso auxiliou o homem a armazenar alimentos mais facilmente e por mais tempo. Diz-se que os sumérios inventaram a escrita com o objetivo de registrar e controlar o comércio de excedentes de alimentos, entre os principais estava o trigo. Ele também foi encontrado no Homem de Gelo do Tirol, dentro do estômago sob a forma de pães ázimos.


Mas, alguns estudiosos do assunto afirmam que o trigo já não é mais o mesmo. Como os médico americanos Wllian Davis e David Perlmutter que acreditam que o trigo sofreu modificações. Dizem que as variedades mais antigas de trigo possuíam mais de um metro de altura, e que os agricultores buscaram variedades mais baixas e de mais fácil colheita, essas variedade tinham cerca de 40 cm. Dizem que o ciclo de vida da planta também foi alterado, diminuído, o que melhorou o aproveitamento da terra. Dizem que até características como a facilidade de desprendimento da espiga também foi afetado, ficando mais firmemente ligado à planta. Essa teoria, porém é bastante questionada, isso porque os cruzamentos genéticos ocorrem há milênios e, em alguns casos, ocorre de forma natural, sem intervenção do homem. Não há comprovação científica de que esse processo tenha modificado a forma como o trigo é digerido.

O trigo é também saúde. Há uma nova onda, crescente entre os nutricionistas. Trata-se de um retorno de bons hábitos e alimentos, uma dieta quase que arcadista, ao meu ver na medida em que busca um resgate da simplicidade e da naturalidade. Desse modo, ganham força os alimentos integrais e é resgatada a riqueza nutricional do trigo, não deixando apenas o endosperma como ocorre nas farinhas brancas. Com explica a nutricionista Cynthia Antonaccio: Os  grãos ancestrais ganham mais relevância. Outro ponto forte no Brasil é a conveniência. Mas ninguém quer algo prático e de rápido preparo que sacrifique a naturalidade, o prazer ou o sabor que o alimento oferece. Então, surge a oportunidade para novas tecnologias, em que a indústria pode obter o ingrediente natural, o mais próximo da integridade dele, aplicando tecnologia para um processamento mínimo, facilitando o momento de preparo. Ele também é importante em alimentações de vegetarianos e veganos. O trigo é um cereal. E os cereais têm papel fundamental na dieta vegetariana. O grão de trigo integral fornece proteínas, carboidratos, vitaminas do complexo B, ferro, zinco. Ele é um dos grãos da combinação do mix de 7 cereais. Tem o triguilho também, que é nutritivo e vai bem em saladas, assados. Os pães estão presentes no café da manhã, nos lanches.

Para finalizar, um graficozinho mostrando uma interessante pesquisa publicada na revista Gastroenterology (vol 142, pg 320-328 em Agosto de 2013) feita com algumas pessoas que se intitulavam sensíveis ao glúten, mas não portadores da doença celíaca. O objetivo era pesquisar o que causava o efeitos colaterais através do consumo de glúten nesses indivíduos. Eles foram submetidos a dietas com muito glúten, com pouco glúten e um placebo.
Sintomas Gerais, Dor e Inchaço

Satisfação com a consistência fecal, Gases, Náusea e Cansaço 
Para surpresa de todos a dieta rica em glúten apresentou sintomas mais brandos. Isso sugeriu um efeito "nocebo", no qual os efeito negativos foram mais atribuídos pelo psicológico do paciente do que pelo glúten em si.


Levando em conta todo o apresentado no blog e que o trigo e, por consequência, o glúten está presente em tantas comidas tradicionais e deliciosas - os italianos que o digam-, faço minhas as palavras de Michael Pollan em seu livro "Em Defesa da Comida": Coma comida, não em excesso.
Muito Obrigado!

Fontes:
http://naocontocalorias.com.br/2014/05/20/vale-a-pena-tirar-o-gluten/
http://batatafritapode.com/2013/11/13/e-o-gluten-pode/
http://www.trigoesaude.com.br/gluten-sem-preconceito/culpado-ou-inocente.shtml
http://www.trigoesaude.com.br/gluten-sem-preconceito/o-trigo-na-dieta-vegetariana.shtml
http://www.trigoesaude.com.br/gluten-sem-preconceito/nutricao-do-futuro.shtml
Pandolfi, Robson. A Verdade Sobre o Glúten. Rvista Superinteressante, São Paulo, p.26 JULHO 2014.