sexta-feira, 24 de outubro de 2014

IV - Glúten para Dentro da Cabeça.

O glúten é uma proteína um tanto quanto grande e de não tão fácil ingestão, já falamos disso no primeiro post. Ele é desencadeador da doença celíaca, a qual é auto-imune, você já sabem disso, pois foi falado no segundo post. O glúten pode ainda causar alergia e é supostamente culpado por sensibilidades que incomodam barrigas de algumas pessoas. Todas essas áreas de atuação do glúten, no entanto, são restritas ao trato gastrointestinal. O que o leitor provavelmente não sabia -e nem eu, até pouco tempo- é que o glúten pode atuar, também, em certas regiões do nosso sistema nervoso.


Um ponto interessante dessas atuações é quando o glúten se comporta como o ópio ou um de seus derivados.
O ópio é uma substância extraída da planta 'papoula do oriente', dessa substância pode-se extrair a morfina e a codeína, usadas como anestésicos, mas pode pode ser usada de maneira abusiva e causar dependência. Seus derivados foram chamados opioides. No cérebro existem receptores celulares ,ligados a dor, denominados receptores opioides.Bem, os opioides podem se ligar aos receptores liberando um sensação analgésica ou hipnótica.
Contudo, não são só derivados do ópio que podem se ligar aos receptores opioides, a endorfina, substância produzida pelo corpo, e a heroína, droga sintética, podem se ligar a esses receptores.
Primeiro vem a vontade incontrolável de consumo, quando finalmente se consegue, o produto cai na corrente sanguínea, vai até o cérebro onde se liga aos receptores opioides que produzem uma sensação de prazer. Poderíamos estar falando da heroína, mas na verdade estamos falando da gliadina, uma das duas proteínas componentes do glúten. Ou seja, comer trigo gera mais vontade de comer trigo.

O mecanismo não é comprovado por estudos, mas pesquisadores da UFMG sugerira que nessa de comer mais e mais, pode haver uma relação direta entre o glúten e o ganho de peso. Eles fizeram uma experiência com ratinhos com características semelhantes de genética e idade. Eles impuseram a esses ratos mesmo tratamento e mesma alimentação, com exceção de quem na ração de um dos dois grupos foi adicionado glúten. O resultado foi que aqueles que não consumiram glúten tiveram 11% menos ganho de peso, já os que consumiram desenvolveram 32% mais gordura abdominal e 24% mais glicose no sangue.

Outras hipóteses apontam a relação entre a doença celíaca, sensibilidade ao glúten e algumas doença mentais. Estudo feito pela Universidade de Sheffield, na Inglaterra, sugeriu uma ligação entre a ataxia cerebral, que afeta a coordenação motora por degeneração do cérebro, e a sensibilidade ao glúten. Essa proteína, e também a caseína do leite, podem afetar pacientes com autismo e esquizofrenia, quando associadas com certas deficiências enzimáticas. Portanto, a eliminação dessas proteínas da alimentação de tais pacientes pode causar uma pequena melhora nas coordenações da motricidade e da fala. Outros estudos feitos por pesquisadores do Institute of Internal Medicine da Universidade Católica, Roma, Itália concluem "Há evidências de alteração do fluxo sanguíneo cerebral regional em pacientes celíacos não tratados". É como se consumir trigo cortasse o fluxo de sangue a determinadas áreas do córtex frontal.

Os efeitos do glúten no cérebro são retirados de estudos e sugestões, mas nada comprovado. Um dos objetivos deste blog é confrontar a informações que se tem acerca do glúten, já que não são unanimidade. Então, surgirão postagens nas quais falarei bem do glúten, como, por exemplo, em quantas delícias do nosso dia-a-dia ele está presente. Desse modo, confrontando ideias, posso deixar o leitor livre para se perguntar se ,por acaso, seu cérebro não estaria se atrofiando enquanto ele come um delicioso pedaço de pizza.

Fontes:
http://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/opiaceos.htm#2
http://draflavianakamura.com.br/site/cerebro-de-gluten-o-trigo-elimina-a-circulacao-sanguinea-ao-cortice-frontal/
http://www.ff.up.pt/monografias_toxicologia/monografias/ano0708/g15_morfina/mecanismo_de_accao.htm
Pandolfi, Robson. A Verdade Sobre o Glúten. Rvista Superinteressante, São Paulo, p.26 JULHO 2014.

sábado, 18 de outubro de 2014

III - Alergias Alimentares, Sensibilidade e uma Injustiça contra o Glúten.

Na última postagem discorri um pouco sobre a mais conhecida doença causada pelo glúten. Contudo, não é apenas com a esse mal que relacionam o Glúten. A ele, também, estão relacionadas algumas alergias e sensibilidades do organismo. Se o glúten é comprovadamente culpado pela doença celíaca, as poucas provas contra ele em outros males e as provas contra outros suspeitos o deixam como um "injustiçado" face à sua provável  inocência nesses males.

Sobre as alergias alimentares é necessário saber que elas se diferenciam de intolerâncias. A alergia alimentar é uma reação adversa, imunológica e descontrolável a determinado alimento. O número de casos de alergias vem crescendo com o passar dos anos por uma série de fatores, mas principalmente por uma maior exposição a um número maior de alérgenos alimentares disponíveis. Os alimentos mais citados nos casos de alergias são: leite, ovos, amendoim, castanha, peixes e frutos do mar. Os sintomas podem variar de uma simples coceira até edema de glote que pode causar a morte. O glúten provoca uma alergia conhecida como "alergia ao trigo". Nessa doença, assim como na celíaca, ocorre ação do sistema imune adaptativo. Assim, o glúten vai induzir a formação de imunoglobulinas E que provocam inflamação.
Já a intolerância tem a ver com a falta de alguma enzima ou substância e isso dificultará a digestão dos alimentos. A intolerância costuma desencadear sintomas gastrointestinais  como gases, diarreia e distensão alimentares.


Além de alergias e intolerâncias, existe também a sensibilidade. Um exemplo é a sensibilidade ao glúten. Quando um paciente, não celíaco e não alérgico ao trigo,  possui sintomas que melhoram com a retirada do glúten da alimentação ele é dito sensível ao glúten. As pessoas que apresentam a sensibilidade não possuem evidências para o tipo de reação imune que têm os celíacos e alérgicos ao trigo.
A sensibilidade ao glúten também está relacionada ao sistema imune, mas não ao adaptativo (que possui resposta específica), e sim ao sistema imune inato que reconhece grande variedade de invasores.
Daí surge a pergunta: seria o glúten o responsável por essa sensibilidade e que lhe foi atribuída? Estudos apontam que outra proteína do trigo, a proteína  inibidora de amilase tripsina ATI, ativa receptores do sistema imune inato e desencadeiam uma reposta nas células desse sistema. Um dado interessante é que a taxa de ATIs vem crescendo no trigo consumido, isso acontece porque a ATI atua na proteção contra pragas, como o trigo vem sendo produzido para ser mais resistente a taxa de ATI também cresce o que também explica o aumento de causas da doença. Outro fator do trigo que vem recebendo a culpa por esse desarranjo é o carboidrato chamado de FODMAPs.

Fontes:
http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/05/09/medico-explica-alergias-alimentares-e-derruba-mito-de-que-gluten-engorda.htm
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/sensibilidade_ao_gluten_tem_novas_explicacoes.html
Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, sítio:
http://www.sbai.org.br/secao.asp?s=81&id=306
file:///D:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/3466-11559-1-PB.pdf

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

II - A Doença do Glúten

Em postagens mais futuras eu falarei de estilos de vida que criaram aversão ao nosso querido glúten por acreditarem que, desse modo, estão sendo mais saudáveis. Mas, neste post vou me ater àquelas pessoas que não possuem muita alternativa e, não por opção, mas por questões comprovadas de saúde, abandonam os alimentos que contém glúten. Estou falando dos portadores da doença celíaca.

A doença celíaca é um tipo de doença autoimune, então, para não deixar meus leitores sem uma base, vamos a um pequeno esclarecimento do que seria uma doença autoimune.

Doença autoimune é uma perversão da função original do sistema imune, que é proteger normalmente contra agentes infecciosos. Aquelas células que deveriam estar te protegendo contra bactérias vírus protozoários, começam a destruir as suas próprias estruturas, estruturas que elas deveriam ter aprendido, na sua evolução, a tolerar.
Muitas dessas doenças têm uma base genética, mas também podem surgir influenciadas pelo meio-ambiente. Ainda, fatores desencadeantes é que vão apontar, no caso genético, quão cedo a doença irá aparecer, ou seja, quando aquele determinado gene será expresso. Dessa maneira, pessoas que têm influências genéticas, mas não entram em contato com fatores desencadeantes, vão diminuindo as chances de desenvolver a doença.

A doença celíaca é um tipo de doença autoimune que atinge um órgão específico, no caso, o intestino delgado. Essa enfermidade se desencadeia quando há o contanto com o glúten, mais especificamente é na gliadina (citada no último post) que estão presentes a maior parte dos componentes nocivos. Em pessoas com predisposição genética, moléculas não digeridas de gliadina, ao entrarem em contanto com camadas mais internas da mucosa intestinal, disparam a reação imunológica causadora da inflamação responsável pelos sintomas. Isso causa a atrofia das vilosidades intestinais, gerando diminuição da absorção de nutrientes. Os  genes necessários à manifestação deste mal já foi descobertos e nomeados e podem ser o HLA- DQ2, ou o HLA-DQ8.



A doença é mais comum em crianças, mas também atinge adultos de ambos os sexos, podendo ou não apresentar sintomas. Quando existentes os sintomas variam de acordo com a faixa etária. A doença celíaca que atinge crianças, também chamada de Clássica, caracteriza-se por diarréia crônica, desnutrição com déficit de crescimento, anemia ferropriva não-curável, emagrecimento, osteoporose, dores abdominais e vômitos. A dita Não Clássica varia entre alterações gastrintestinais, fadiga, prisão de ventre, baixo ganho de peso e estatura, e osteoporose. Há ainda a forma assintomática, que não apresenta irritabilidades intestinais, mas que, se não tratada pode apresentar complicações futuras, como, mais uma vez, osteoporose e anemia ,ou ainda, câncer.

Mas, como se sabe que alguém é celíaco? Existem algumas formas para se chegar ao diagnóstico nesse caso. Uma forma seria exames laboratoriais para detectar a presença de anticorpos anti-gliadina. Outra, que servir de comprovação, é a biopsia feita com pelo menos três fragmentos do intestino delgado.

Os celíacos devem, portanto ficar longe do glúten e de seus componentes e derivados. Então as empresas deveriam colocar avisos CONTÉM GLÚTEM em todos os alimentos e industrializados que possuem essa proteína, porque além dos celíacos, existem outras pessoas que querem apenas uma coisa do glúten: distância! Mas isso é assunto pra outras postagens.

Fontes:

http://www.fbg.org.br/arquivos/inform_j9jvvs.pdf  Manual Informativo Básico disponibilizado pela Associação de Celíacos do Paraná.